Últimos momentos de outra vida

Pai de dois filhos, o casamento com Elisa completaria 15 anos. Roberta, sua outra mulher, era divorciada e tinha um filho do primeiro marido que foi criado como outro filho seu. tudo ia bem, fiel a duas mulheres, bom pai e bom marido, não se sentia culpado pelo suposto adultério.  considerava Roberta uma parte dele, que não pertencia a Elisa. a pequena construtora que possuía andava bem, sem causar dores de cabeça nem a ele e nem a seu sócio e velho amigo, o Marcinho.  sem que ele pudesse ter algum controle sobre a situação, Marcinho e Roberta começaram a se encontrar e se apaixonaram. foi o início do fim. o dia a dia tornou-se insustentável, ele perdeu, pensou em se matar. sem pensar nas conseqüências, contou sobre sua tragédia pessoal a Elisa e aos dois filhos, em busca de ajuda. Elisa e os filhos revoltaram-se e o expulsaram de casa. Marcinho largou a empresa, juntou todo o dinheiro de anos de economia e mudou-se com Roberta e o filho para o interior. a construtora, em um rápido giro no mercado de ações, passa a ser um mau investimento com baixíssimo retorno financeiro. não valia mais nada. mesmo a um valor mínimo, conseguiu vender a empresa a um grupo de empresários chineses que havia chegado ao país e estava comprando empresas de diversos ramos. todo o dinheiro da venda foi para Elisa e filhos. ele passa a pensar na hipótese de se matar legalmente, conseguir um atestado de óbito e terminar com a catástrofe financeira em que se encontrava.

Até então sua família com Elisa prosperaria intacta até sua morte, Roberta o amaria até o fim de seus dias e a construtora conquistaria status de incorporadora, decolaria com obras no exterior. buscou um legista corrupto que colocou seus vestígios em um corpo sem identificação. mandou o atestado de óbito para o cartório eleitoral, para a receita federal, para os bancos e todos seus registros morreram. com a roupa do corpo e algumas últimas notas de dinheiro no bolso, saiu da agencia do correio sem ter o que fazer, seus registros estavam apagados, não tinha mais nome, endereço, nada – não tinha mais nada. entrou num bar e começou a beber, morto.

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